Vivemos em uma sociedade que compara o tempo inteiro. Comparações acontecem:
- nas escolas,
- nas famílias,
- nas redes sociais,
- entre irmãos,
- entre colegas,
- entre desempenhos,
- entre comportamentos,
- entre fases do desenvolvimento infantil.
E aos poucos, sem perceber, muitas crianças crescem acreditando que precisam se encaixar em um modelo ideal para serem suficientemente boas.
A infância não deveria ser uma competição.
Cada criança possui: um ritmo, personalidade, forma de sentir, uma maneira própria de aprender, interesses, habilidades e tempos emocionais diferentes.
Mas o excesso de comparação faz com que muitas deixem de olhar para si mesmas para viver tentando alcançar referências externas. A criança começa a sentir que nunca é suficiente.
E isso gera um desgaste emocional silencioso.
O problema não está apenas na comparação ocasional. Ele começa quando a criança passa a construir sua identidade baseada nisso.
Ela deixa de se perguntar: “Quem eu sou?”
E começa a se perguntar: “Por que eu não sou como os outros?”
A escola é um dos ambientes onde a comparação mais aparece.
Mesmo sem intenção, as crianças constantemente percebem:
- quem termina primeiro,
- quem recebe mais elogios,
- quem “aprende fácil”,
- quem é chamado de inteligente,
- quem é visto como “difícil”.
E então muitas passam a se enxergar a partir desses lugares.
A criança que encontra mais dificuldade pode começar a acreditar que não é capaz. A mais tímida pode sentir que sua forma de existir é inadequada. A mais sensível pode crescer tentando esconder emoções para se encaixar.
Pouco a pouco, o ambiente escolar deixa de ser um espaço de descoberta e passa a ser um espaço de comparação constante.
A infância precisa voltar a ser um espaço de construção de identidade e não de comparação constante.
Porque quando a criança cresce acreditando que precisa competir para merecer valor, ela se desconecta de si mesma.
E a base somos nós.


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