Durante muito tempo, acreditou-se que aprender dependia apenas de inteligência, disciplina e repetição.
Mas aos poucos, estudos da neurociência, da psicologia e principalmente a própria vivência dentro das escolas começaram a mostrar algo muito importante:
A aprendizagem também é emocional.
Nenhuma criança aprende bem, quando vive em constante estado de tensão, medo ou insegurança emocional.
A infância é um período de intensa construção emocional e neurológica.
Tudo o que a criança vive impacta diretamente:
- sua atenção,
- sua memória,
- sua autoestima,
- sua capacidade de concentração,
- sua motivação,
- sua relação com o aprender.
Quando a criança se sente acolhida emocionalmente, o cérebro entende que está em segurança. E um cérebro seguro:
- explora mais,
- pergunta mais,
- cria mais,
- participa mais,
- se arrisca mais no processo de aprendizagem.
Mas quando a criança vive em estado constante de pressão, medo ou comparação, o cérebro entra em modo de defesa.
E nesse estado emocional, aprender deixa de ser prioridade.
A criança aprende melhor quando pode errar sem medo
Aprender exige vulnerabilidade. Para aprender algo novo, a criança precisa:
- tentar,
- errar,
- recomeçar,
- fazer perguntas,
- se expor,
- admitir que ainda não sabe.
Mas muitas crianças crescem acreditando que errar é decepcionar os adultos.
E então começam:
- o medo excessivo de falhar,
- a insegurança,
- a ansiedade,
- o perfeccionismo,
- ou até mesmo o desinteresse.
Algumas preferem nem tentar, porque emocionalmente já associaram o erro à vergonha ou incapacidade.
Por isso, crianças emocionalmente acolhidas aprendem melhor:
porque se sentem seguras para experimentar.
O acolhimento não significa ausência de limites
Existe uma grande confusão quando falamos sobre acolhimento emocional. Acolher não é permitir tudo.
Não é ausência de regras.
Não é permissividade.
Não é falta de direcionamento.
Acolher significa compreender que existe um ser humano por trás do comportamento da criança.
Significa corrigir sem humilhar. Orientar sem assustar. Ensinar sem destruir emocionalmente.
A criança precisa de limites. Mas limites com vínculo geram segurança. Já limites baseados apenas em medo geram bloqueios emocionais.
Aprender também é sentir
Talvez um dos maiores erros da educação durante muitos anos tenha sido separar emoção e aprendizagem. Como se aprender fosse apenas um processo técnico. Mas não é.
Toda aprendizagem passa pelas emoções.
Uma criança emocionalmente sobrecarregada dificilmente conseguirá sustentar:
- atenção,
- motivação,
- persistência,
- criatividade,
- prazer em aprender.
Por isso, ensinar não é apenas transmitir conteúdos. É também construir pertencimento.
É criar ambientes onde a criança se sinta segura para ser quem é enquanto aprende.
E a base somos nós.


Deixe uma resposta