A infância silenciosa das crianças que “não dão trabalho” – Parte II

Muitas crianças silenciosas crescem tentando corresponder expectativas emocionais dos adultos. Querem agradar, acertar, não decepcionar, ser motivo de orgulho, evitar conflitos, manter tudo “em equilíbrio”.

E isso pode gerar:

  • ansiedade,
  • perfeccionismo,
  • autocobrança excessiva,
  • medo de errar,
  • dificuldade de expressar emoções,
  • sensação constante de insuficiência.

Porque por trás da criança que “não dá trabalho” muitas vezes existe alguém emocionalmente cansado de tentar ser suficiente o tempo inteiro. Nem toda criança quieta está em paz.

Existe uma diferença importante entre tranquilidade emocional e silêncio emocional.

Uma criança emocionalmente segura:

  • consegue se expressar,
  • demonstra sentimentos,
  • pede ajuda,
  • mostra desconfortos,
  • sente liberdade para existir como é.

Já a criança emocionalmente reprimida muitas vezes:

  • guarda tudo,
  • evita incomodar,
  • se cala diante das dores,
  • aprende a esconder emoções para manter pertencimento.

E isso pode acompanhar a vida adulta. Muitos adultos emocionalmente sobrecarregados hoje foram crianças que aprenderam cedo demais a não incomodar ninguém.

A escola também costuma invisibilizar essas crianças, geralmente recebem mais atenção as crianças que:

  • enfrentam,
  • gritam,
  • apresentam comportamentos reativos,
  • demonstram dificuldades visíveis.

Mas as crianças silenciosas frequentemente passam despercebidas, porque elas:

  • fazem atividades,
  • obedecem,
  • não causam conflitos,
  • se adaptam facilmente.

E então ninguém percebe:

  • a ansiedade escondida,
  • o medo de errar,
  • a baixa autoestima,
  • o excesso de autocobrança,
  • o cansaço emocional.

Nem toda criança que “funciona bem” está emocionalmente bem.

Crianças precisam sentir que podem existir por inteiro, que errar, chorar, sentir raiva, pedir ajuda e demonstrar vulnerabilidade não faz com que ela perca amor ou pertencimento.

Precisam de adultos que consigam enxergar além do comportamento “bonzinho”. Educar com consciência também significa perceber que até o silêncio comunica.

Infância saudável não é silenciosa.

E às vezes, por trás da criança que “não dá trabalho”, existe apenas alguém desejando ser acolhido sem precisar esconder quem realmente é.

A base somos nós.


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