Existe um tipo de criança que quase nunca preocupa os adultos. Ela não faz escândalos. Não desafia constantemente. Não costuma reclamar. Não chama atenção na escola. Não “atrapalha”. Não exige muito.
É a criança que frequentemente ouvimos ser descrita como:
“Muito boazinha.”
“Muito madura.”
“Muito tranquila.”
“Nunca dá trabalho.”
E justamente por parecer tão adaptada, muitas vezes ninguém percebe o que acontece emocionalmente dentro dela.
Porque nem toda infância silenciosa é uma infância emocionalmente saudável.
Algumas crianças aprendem cedo demais a não incomodar
Existem crianças que, ainda muito pequenas, começam a perceber que:
- suas emoções geram tensão,
- suas necessidades incomodam,
- seus choros são excessivos,
- suas dificuldades frustram os adultos.
E então elas se adaptam. Passam a tentar ocupar menos espaço emocional:
Param de pedir ajuda.
Engolem sentimentos.
Tentam resolver tudo sozinhas.
Se tornam excessivamente “fortes”.
Mas crianças não deveriam precisar ser emocionalmente fortes o tempo inteiro. O silêncio também pode ser um pedido de ajuda.
Muitas vezes, quando pensamos em sofrimento infantil, imaginamos comportamentos explosivos:
- agressividade,
- crises,
- indisciplina,
- enfrentamentos.
Mas algumas dores emocionais se manifestam justamente no extremo oposto. Existem crianças que silenciam emoções para preservar vínculos. Elas:
- observam mais do que falam,
- escondem tristezas,
- evitam conflitos,
- tentam agradar constantemente,
- sentem medo de decepcionar.
E aos poucos começam a acreditar que seu valor está em não causar problemas.
A criança “madura demais” pode estar apenas sobrevivendo emocionalmente
Muitos adultos enxergam como maturidade aquilo que, na verdade, pode ser excesso de adaptação emocional.
A criança que nunca reclama, aceita tudo, cuida emocionalmente dos outros, tenta resolver problemas de adultos, se culpa facilmente, evita demonstrar vulnerabilidade, nem sempre amadureceu.
Às vezes apenas aprendeu cedo demais que precisava se ajustar emocionalmente ao ambiente para se sentir segura.
Este post continua…


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